como plumas

Month: Janeiro, 2016

DIY – Mural de fotos e recados diferente!

Fonte: DIY – Mural de fotos e recados diferente!

 

Uma música na rádio, hoje.

Nem preciso dizer que hoje o dia foi estranho, né? Porque foi isso que foi. Definitivamente.

Terminei a primeira temporada de The Borgias. Minha sobrinha nasceu. Ou melhor, a filha da minha cunhada nasceu [algumas pessoas entenderão]. Recebi uma declaração bonita e um pedido de casamento não aceitável. Faltei à aula, porque não estou preparada, ainda, para o final do ano letivo de 2015. Estou terrivelmente cansada e fatigada e enjoada de todo o lance que já recebi e ainda terei que receber e já desempenhei e ainda terei que desempenhar, na universidade. Não comi, já que, estranhamente, não estive com fome. Chorei o suficiente para abastecer um litoral artificial. Me perdi em ruas conhecidas. Não olhei nos olhos de quem normalmente olho, pelo simples fato de não saber lidar com a emoção, naquele momento. Fumei cigarros furtados. Fingi orgasmo, mas proporcionei um orgasmo. Corri, como o Forrest, atrás dos meus anos perdidos com um amor perdido. Lamentei. Me arrependi por isso. Fiz planos faraônicos para conseguir dar continuidade na minha vida romana. Pensei em nomes bonitos, para os meus filhos inexistentes e que nunca existirão. Procurei um ginecologista, que quisesse me olhar e me salvar da ardência desses dias, porém não encontrei. Passei frio, nesse dia quente. Meus pés congelaram e permaneceram imóveis, quando eu precisei fugir. Perdi o rebolado, no instante que eu percebi que a minha dança não agradava mais. Fiquei lubrificada, mas perdi o tesão. Percebi, assim, que sexo oral, não faz meu estilo. Percebi também que quero a luxúria dos personagens de Almodóvar, quero a violência dos filmes do Tarantino e toda os problemas psíquicos e dramáticos e existenciais do Lars. Saí do manicômio, da minha vida, para me deparar com o desespero familiar. Ouvi música, no som do carro, enquanto eu roía as minhas unhas roídas. Me encontrei na música, que, apesar de não tê-la ouvido anteriormente, resolveu me entender.

Vespas Mandarinas, Não sei o que fazer comigo.

Sobre a música: (Roberto Musso / versão: Chuck Hipolitho / Thadeu Meneghini) – Originalmente gravada por El Cuarteto De Nos (Ya No Sé Qué Hacer Conmigo) no disco Raro de 2006. Produzida por Rafael Ramos para o disco Animal Nacional – Deck 2013.

Cronologicamente programado

Hoje, justamente hoje, eu estou mais perdida do que o habitual. Talvez essa sensação tenha me seguido desde que tive consciência de que sou capaz de pensar. Ela me causa dor. Sei que em alguns momentos, como o de agora, eu já escrevi sobre o que sinto, sobre o que me confunde. A insistência em falar sobre os vazios que me acompanham, torna-me, com o passar dos anos, repetitiva: uma velha nova, com sentimentos antigos.

Ao falar sobre sentimentos antigos, percebo que sou atravessada por eles, constantemente, ao ponto de sempre, sempre, carregar nos ombros a experiência de amores anteriores e fracassados, de relacionamentos abusivos e opressores, de medos e preocupações perturbadoras. O que faço para sair ilesa dos efeitos colaterais dessa experiência que é (sobre)viver? Porque, com essa bagagem, ergo um amontoado de barreiras, para que ninguém se aproxime de mim. Com isso, a solidão dos meus dias dói, pois, ultimamente, o além, aquilo ali que existe fora do meu quarto, não tem me interessado. Nem tem feito sentido algum.

De manhã, eu assisti um seriado, aquele The Borgias, e o Papa disse, em determinado momento, que ele se sentiu leve, livre e em paz consigo mesmo, com o mundo, com Deus, em apenas um momento: quando ele se confessou com um padre franciscano. Eu quero que exista, para mim, a possibilidade de instantes pacíficos. Não quero confessar-me com algum padre (já que não acredito nisso), para encontrar o bem-estar. Não gosto da ideia de depender da remição de alguém, para que eu me sinta feliz. Entretanto, mesmo que minhas dúvidas sejam antigas e, nesta tarde, eu não sou a mesma mulher de antigamente, eu ainda continuo sem respostas e antologicamente descaracterizada.

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