Fragmentos de mim, fragmentos de nada I

by Renata Kelen

O nada.
Um fantasma que me segue. Um fantasma que me cerca. Um fantasma que me assombra. Teria apenas um rosto ou seria um emaranhado de faces perdidas, faces tardias, faces esquivas e vazias…? Vazias de mim. Vazias de ti. Vazia de nós.

O vazio espreita, enquanto o nada emerge.

Através dos seus olhos, enxergo a assombração que me transformei. Formada por rostos, por membros e línguas estranhas. Estrangeiros de mim. Passaram por meu corpo e habitaram o que não lhes eram de direito. Marcou a pele. Machucou o ritmo e destruiu, destruiu tudo o que demorei tanto para dar origem. Fizeram isso, com a simples intenção de hastear a bandeira e sumir. Negando, assim, o meu início. O meu fim.

Anúncios