Fragmentos de mim, fragmentos de nada III

by Renata Kelen

Me capturou. Eu, a presa que queria entregar-se, entregou-se; plena. No olho do corpo, no cu do mundo, encontramo-nos. No vazio, no vácuo não habitado, senti, sentimos-nos. Explodi. Explodimos-nos.

Com meu olhar virgem, alcancei-te.
Vi e deixei ver uma cena inédita. Gravada com a melhor posição da câmera colocada em minha cabeça e contracenada com a pessoa mais pungente que ousou atravessar-me.
Sente?
Eu sinto;
Sinto a química da proximidade das peles; a química que produziu, constituiu o meu pensamento e materializou a realidade, a nossa realidade; a sensação que dançou entre nossos corpos, abrandou qualquer ressalva e nos fez nós. Pura maciez expressa em cores.

Fui sua. Completa, finalmente, a sós. Em sincronia, em posição para executar a dança que só nós sabemos dançar, respiramos o mesmo compasso.
Economizei sentido, para sentir o Absoluto.
Economizei sentido, para encontrar o Inefável.

*

Inventei a verossimilhança que faltava, acreditei no (in)tangível que passava.
Por fim, em estado de pura letargia consciente, eu contemplei. Deixei contemplar.
Veja meu mundo através dos meus olhos, beibe, ele não é grande?
É tudo nosso.

E só poderia ser com você.

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