Fragmentos de mim, fragmentos de nada IV

by Renata Kelen

Não excluiria a parte do vômito. Não pediria desculpas por ele.
O que aconteceu só foi a resposta à lasciva forte e explosiva que senti. Dei-me tanto, que para não chorar, para não dizer eu te amo, para não me despedaçar ou desmontar, vomitei.

Eu sempre sinto muito.
E o sentir não cabe em minha pele.
Não cabe em meu estômago.
Extrapola a física.
Aquela que diz que dois corpos não ocupam um espaço ao mesmo tempo não nos conhece (sim, quando o assunto é nós, sou prepotente, porque somos uma canção feita em parceria).

Desintegrei-me, em sua frente.
Por um tempo, encostada no batente da porta, perplexa, observei-te. Em pé, entre vômito, rindo com você, de você, depois do caos, eu me encontrei.
Vômito, caos e riso, talvez essa seja a formula para um eu completamente pleno: temos história. Somos a nossa própria partitura. Somos o nosso próprio roteiro de Noé.

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