(Ir)real

Ontem à noite, sentei no meu banco habitual, peguei meu café de sempre e fiquei olhando as pessoas passarem como toujour. Diferente de alguns dias, apareceu um amigo para trocar uma ideia e, no meio das conversas (não me pergunte como chegamos a esse ponto), começamos a nos questionar sobre a realidade. A nossa realidade quanto seres humanos. Como sujeito ativo. Como indivíduo social.

Não que eu já não tenha feito isso antes, mas ontem foi o momento em que me dei conta de que podemos não estar aqui. Ou estar aqui, sem que o aqui, o agora, o hoje seja verdadeiro. Dizer em voz alta “não sei se esse é meu lugar” tornou meu deslocamento ou meu estranhamento com o mundo (chame de loucura, caso queira) tangível. Tornou a falta de realidade, real.

Não consigo provar esse volúvel sentimento de não-realidade para ninguém, (até porque, a única leitura que tenho sobre isso é o mochileiro das galáxias, que, venha a nós, embora seja sensacional, é bem perturbadora a pira do cara e a inconstância das personagens, e ainda tem os filmes do Nolan, que, cá entre nós de novo, não podemos caracterizá-los como de fácil compreensão). No entanto, a mesma falta de argumentos que tenho sobre “isso pode não ser real”, eu sinto para provar que essa vida, esse corpo, a matéria em si possa ser a única e exclusiva realidade. Você consegue?

Eu sinto, eu vejo, eu comando meu corpo, eu posso alterar meu espaço, minha ‘vida’, tenho controle sobre muitas coisas, inclusive, tenho decisões para tomar, tenho compromissos e metas para cumprir, tenho sonhos, futuro, tenho uma linguagem que me diferencia dos animais e tenho consciência. Tenho, certo? Sou uma pessoa, me conheço, me sei decor. Entretanto. Será apenas uma questão de prefixo? Como faço para sair desse limbo de confusão?

Não sei. O que eu sei é que, se sou um projeto de pessoa, que figura o the sims de alguém, preciso pedir: cara, melhore os meus gráficos.

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