como plumas

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Roteirize

Não tenho entusiasmo, não sou poesia. Isso deveria me incomodar, mas não incomoda. Gosto de quem sou, quem me tornei. Com o tempo aprendi a gostar. Como desgostar se sempre serei minha companhia. Vejo que um dia estarei sentada, no café de sempre, bebendo o suco de sempre, fumando o cigarro de sempre e sozinha como sempre. Isso deveria me incomodar, mas não me incomoda. Não penso nisso como algo ruim. Sou chata. Por dentro, só tenho órgãos. Sinto que vivo em um filme, só não decidi ainda qual seria o diretor. Almodóvar, Lars, Godard, ou… A minha única exigência é poder escolher o figurino. Me vestiria como a Summer ou/e personagens semelhantes a ela. Teria desfechos semelhantes ou teria desfechos inconclusos, porque eu sou assim: pura falta de fim. Isso deveria me incomodar, mas eu deixo para lá.

na feira de antiguidades

– Sabe o que significa meu nome?

– Não, não faço ideia, o que significa?

– Também não sei, mas um dia eu conheci uma pessoa com o meu nome.

– Aé?

– Sim, mas era mulher. Era A Ismar. Perguntei: “o que significa nosso nome?” Ela disse: “Bom, Ismar, o meu é porque minha mãe se chama Isabel e meu pai Marcos.”

– Ah, sim. Faz sentido.

– Depois conheci outra e perguntei a mesma coisa, ela respondeu: “Ismar porque meu pai era Ismael e minha mãe é Maria.”

– Uau, então tá aí a explicação, junção de nomes, oras. E o seu, é Ismar do que?

– Ismar de porra nenhuma. Minha mãe é Cleuza e meu pai José.

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